sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

JANTAR DE FINAL DE ÉPOCA DO GRUPO DE FORCADOS AMADORES DA CHAMUSCA

No passado dia dez de Dezembro, realizou-se na Quinta da Ponte da Pedra, no Entrocamento, a Festa de final de temporada do Grupo de Forcados Amadores da Chamusca.
Como habitualmente o jantar registou um bom numero de presenças, cerca de 130 convivas, onde, para além do excelente e reconhecido serviço de mesa e gastronómico, do lançamento da Revista anual do Grupo, também se homenageou Leonor Nalha pela sua dedicação ao Grupo e se ouviu fado nas vozes de João Chora, Maria Manuel Martins, João Carrinho e Teresa Azoia, com acompanhamento de Bruno Mira á guitarra e João Chora á viola.
Distribuiram-se os habituais prémios aos elementos que mais se destacaram, os naturais discursos e, para remate de festa, o som contagiante de "Los Tres Sangres" fez perdurar a festa até ás tantas. Curioso, ou talvez não, foi a presença do simpático casal Bruno e Sónia que, vindos de Torres Vedras, fizeram questão de compartilhar mesa connosco .
Emotivo, quão arrepiante, foi o discurso do Bruno que poderão ler no meio do post.

















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domingo, 25 de dezembro de 2011

NATAL 2011


Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm?
Dos que não são cristãos?
Ou de quem traz às costas
as cinzas de milhões?
Natal de paz agora
nesta terra de sangue?
Natal de liberdade
num mundo de oprimidos?
Natal de uma justiça
roubada sempre a todos?
Natal de ser-se igual
em ser-se concebido,
em de um ventre nascer-se,
em por amor sofrer-se,
em de morte morrer-se,
e de ser-se esquecido?

Jorge de Sena 1971

Acenda-se de novo o Presépio do Mundo!
Acenda-se Jesus nos olhos dos meninos!
Como quem na corrida entrega o testemunho,
passo agora o Natal para as mãos dos meus filhos.

E a corrida que siga, o facho não se apague!
Eu aperto no peito uma rosa de cinza.
Dai-me o brando calor da vossa ingenuidade,
para sentir no peito a rosa reflorida!

Filhos, as vossas mãos. E a solidão estremece,
como a casca do ovo ao latejar-lhe vida...
Mas a noite infinita enfrenta a vida breve:
dentro de mim não sei qual é que se eterniza.

Extinga-se o rumor, dissipem-se os fantasmas!
Ó calor destas mãos nos meus dedos tão frios!
Acende-se de novo o Presépio nas almas.
Acende-se Jesus nos olhos dos meus filhos.

David Mourão-Ferreira

domingo, 18 de dezembro de 2011

PACO CANO, 99 ANOS. PARABÉNS MAESTRO.


Paco Cano, Canito, sigue con la cámara colgada del cuello. Con casi un siglo de vida tiene vista, pulso, ganas de seguir trabajando y el talento de ver la vida a través de la cámara. Formó parte de esas fiestas que no querían perderse las estrellas de Hollywood y ha sido testigo de siete décadas de historia. Ha retratado a personalidades, políticos a las estrellas más rutilantes del celuloide y ha sido testigo de siete décadas de historia de la tauromaquia a través de su objetivo.


Francisco Cano Lorenza nace en Liverpool, en el barrio de Anfield, el 18 de diciembre de 1912. Su padre fue novillero y en el pequeño negoció que regentaba, Canito dio sus primeros pases a una res, que se había escapado del matadero.

A los 17 años, Cano prueba fortuna como boxeador, dentro del peso mosca. Y más tarde debuta como sobresaliente junto a las novilleras Hermanas Palmeño. Interviene en algún festejo en Orihuela, en Alicante donde sufre su primera cornada.


Durante la guerra vive en Madrid, en su casa su amigo Gonzalo Guerra Banderas, que le introduce en el mundo de la fotografía. Es ayudante de laboratorio en una fábrica de cosméticos y sigue intentando ser torero.

Utiliza primero una máquina Brownie; luego, una Leica, a la que acopla un tubo, a modo de objetivo. No pocos se burlan de este "torero-fotógrafo". Pero él tiene la ventaja de que conoce las dos técnicas.



A los 30 años, Cano decide colgar el traje de luces y vivir de la fotografía. Poco a poco, le van encargando reportajes los maestros: Domingo Ortega, Pepe Luis Vázquez, Luis Miguel Dominguín y en Alicante, consigue las mejores fotografías de un percance que sufre Manolete.

Más adelante, colaborará con publicaciones como ABC, Marca, El Ruedo, Aplausos, pero ha sido básicamente un freelance. "A mí me gustaba la independencia, la libertad", afirma el fotógrafo.

En Linares, acompañando a Luis Miguel Dominguín, obtiene el mayor éxito profesional de su carrera: es el único reportero gráfico que retrató la tarde trágica de la cogida y la muerte de Manolete. Las imágenes que tomó Cano dieron la vuelta al mundo.

DUAS VOZES QUE SE CALAM, SEM DEIXARMOS DE AS OUVIR. CESÁRIA ÉVORA E SÉRGIO BORGES.

Ontem, sábado 17, e hoje, Domingo 18, fui surpreendido pelo desaparecimento do nosso convivio de duas vozes que fizeram história na Musica Portuguesa.

CESÁRIA ÉVORA







A primeira, embora Caboverdiana, nasceu há 70 anos na cidade do Mindelo, na altura sob a égide do Império Português.
A cantora, que nasceu em 1941, começou muito jovem a cantar em bares e hotéis, mas só em 1988, com 47 anos, gravou, em Paris, o aclamado álbum “La diva aux pied nus” – “a diva dos pés descalços ”, epíteto com que é frequentemente referida na imprensa.

Poucos anos antes, gravara já um álbum em Lisboa, mas o trabalho acabou por passar despercebido. Numa entrevista ao PÚBLICO, em 1999, Cesária mostrava algum ressentimento por isso. "[Portugal é] um grande país, tenho muitos fãs aqui, mas eu devia ter sido reconhecida aqui primeiro. Eu até ia cantar nos navios de guerra, desde o tempo colonial", disse. "Quem me ajudou foram os franceses, nem os portugueses, nem os cabo-verdianos".

Nos anos que se seguiram a “La diva aux pied nus”, Cesária Évora tornou-se numa estrela no panorama mundial da world music. Em 2009, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, atribuiu-lhe a medalha da Legião de Honra.

Foi “uma das vozes mais expressivas e originais da música mundial”, classificou esta tarde o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, numa nota de condolências. “A qualidade da sua voz era de alcance universal, e o reconhecimento internacional que obteve comprovou isso mesmo”. Um comunicado do Presidente da República, Cavaco Silva, descreve-a como uma “artista singular, que tão bem soube exprimir a cultura e a tradição musical da sua terra, muito para além das fronteiras da língua portuguesa".

Cesária Évora morreu às 11h20, no Hospital Baptista de Sousa, na ilha de São Vicente, na sequência de complicações cardíaco-respiratórias. Em 2008, sofrera um acidente vascular-cerebral (AVC), que a afastou temporariamente dos palcos. Regressou pouco depois, com um ritmo menor de concertos. "Canto mais um tempo e depois stop!".



SÉRGIO BORGES


Sérgio Borges e o Conjunto Académico João Paulo começaram no Funchal, nos primeiros anos da década de 60. Nessa época destacaram-se no panorama nacional com Os Sheiks, Os Conchas, Chinchilas, Duo Ouro Negro, Quarteto 1111 e Demónios Negros, entre outros grupos musicais.

Em 1964 deslocaram-se ao Continente, obtendo grande sucesso no Teatro Monumental e no programa TV Clube. Nesse ano, é editado o primeiro disco do grupo, um EP (formato mais vulgar na época, com três ou quatro canções) com os temas "La Mamma", "Hello Dolly", "Eu Tão Só" e "Ma Vie". No ano de estreia nacional, venceram o Prémio de Imprensa Especial.

Com "Onde Vais Rio Que Eu Canto", da autoria de Nóbrega e Sousa e Joaquim Pedro Gonçalves, Sérgio Borges venceu o VII Grande Prémio da Canção em 1970, ano em que Portugal não participou no Festival da Eurovisão em protesto contra o sistema de votação vigente.

Em 1966, Sérgio Borges ficou em segundo lugar no Festival RTP da Canção, com "Eu Nunca Direi Adeus", tema editado em disco do Conjunto João Paulo que inclui uma versão de "Ele e Ela" de Madalena Iglésias, vencedora desse festival e também, ex-aequo com Sérgio Borges, do Prémio da Imprensa desse ano.


Com vários sucessos na carreira, o grupo madeirense, depois de uma pausa, passa a denominar-se Sérgio Borges & Conjunto João Paulo. O último disco do grupo é editado em 1972. Durante vários anos, este cantor actuou no Casino da Madeira, tendo lançado em 2004 o CD "40 Anos a Cantar", um colectânea dos seus êxitos, como "Hully Gully do Montanhês","Milena (a da Praia)”, "Se Mi Vuoi Lasciare”, "Chove”e “Balada de Uma Rapariga Triste".

Em 1993 a Valentim de Carvalho editou algum do espólio do grupo, num CD intitulado “Os Grandes Êxitos do Conjunto Académico João Paulo”. Em 2008, foi lançado um CD duplo que reúne um total de 42 canções gravadas no período compreendido entre os anos de 1964 e 1968. Um terceiro CD juntará o material registado a partir de 1970 até 1972 onde participou a cantora sul-africana Vickie.

Foram fundadores do grupo, além do vocalista Sérgio Borges, João Paulo Agrela (teclas), falecido em 2007, Carlos Alberto Gomes (guitarra), Rui Brazão (guitarra), Ângelo Moura (baixo) e José Gualberto (bateria), falecido em 2004.


No Portugal dos anos 60 surgiram muitos Conjuntos Académicos: Conjunto Académico Os Espaciais, Conjunto Académico Orfeu, etc.
Um dos mais famosos foi o Conjunto Académico João Paulo, assim chamado no início da sua carreira. Lá mais para o final da sua existência já só era Conjunto João Paulo, tendo retirado o “Académico” do seu nome.
O Conjunto Académico João Paulo formou-se na Madeira, tendo como membros João Paulo (falecido em 2007), Sérgio Borges, Carlos Alberto, Rui Brazão, Ângelo Moura e José Gualberto (falecido em 2004). Sérgio Borges era o vocalista.


António Ascensão (mimo-imitações) fez parte da primeira formação, chegando a gravar o 1º disco. Bruno Brasão, contrabaixo, também fez parte da primeira formação, mas não chegou a gravar.
Por serem um grupo de jovens estudantes e pela alegria das suas canções, como “Hully Gully do Montanhês” ou “Milena (A da Praia)”, tornaram-se famosos não só na Madeira, mas, também, no Continente.
Foram contratados pelo empresário Vasco Morgado para realizarem espectáculos no Teatro Monumental.


Ainda fora da época daquilo que ficaria conhecido como o “yé yé”, este conjunto começou por gravar versões de grandes êxitos da canção francesa e italiana, na época muito conhecidos.
Entre outros, o Conjunto Académico João Paulo, gravou versões de Adamo, Gilbert Bécaud ou Charles Aznavour, um pouco antes da verdadeira explosão do Rock português por nomes como os Sheiks ou os Ekos.
O Conjunto Académico João Paulo passou, várias vezes, em programas da RTP, por ser uma banda que não punha quase nada em causa, sendo mais para puro entretenimento.


Em 1966 o Conjunto concorre ao Festival RTP da Canção com o tema “Nunca Direi Adeus”.
Sérgio Borges concorreu, também ao Festival RTP com o tema “Onde Vais Rio Que Eu Canto”, em 1970. Este foi o ano em que a RTP resolveu não participar no Festival Eurovisão da Canção.
O Conjunto Académico João Paulo gravou também com a cantora sul-africana Vickie um single, que teve edição comercial.
Após Sérgio Borges ter ganho o Festival da RTP, os EP’s do grupo passaram a ser em nome de Sérgio Borges e o Conjunto João Paulo, como no EP “Nascer”.


Apesar de não terem ganho o Festival RTP da Canção editaram um EP com o título “Eurovisão” (em 1966).
Foram inúmeros os EP’s que o Conjunto Académico gravou, tais como “Conjunto João Paulo” (1965), “De Novo com João Paulo e o Seu Conjunto Académico (1966), “Poema de Um Homem Só” (1968), “Kilimandjaro” (1968) ou “O Louco” (1968).
A parte final da carreira desta banda é, musicalmente, mais interessante, notando-se uma aproximação a estéticas musicais mais avançadas. Até a capa do EP “O Louco” já está mais próxima de uma estética psicadélica e mais longe da música de cópia do início da carreira.


Em 1993 a Valentim de Carvalho editou algum do espólio do grupo num CD intitulado “Os Grandes Êxitos do Conjunto Académico João Paulo”. Mais tarde, a mesma editora lançaria uma nova colectânea do grupo intitulada “Antologia da Música Popular Portuguesa” (1990).
No entanto, muitos temas gravados em EP, na sua fase mais criativa, não conheceram nunca edição em formato digital

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

HÁ 57 ANOS

Apenas uma palavra:

SAUDADES


1º de DEZEMBRO DE OUTROS TEMPOS E A RAZÃO PELA QUAL.....

Já lá vão uns bons 45 anos. No dia de hoje, logo pela manhãzinha, sete ou sete e meia da manhã, um grupo de Amigos músicos tocava o hino da Restauração á esquina da taverna do António Cruz, praticamente defronte da minha casa. Naturalmente acordava com aquele som e assim me fui habituando durante alguns anos mais a acordar cedissimo no 1º De Dezembro. Recordo com muita saudade e nostalgia o Mestre Julião Marques, Manuel Samora, João Rosa, Joaquim Raimundo Simões (Cochicho), José Maria Estevens "Major"....


Querem os governantes deste País retirar o 1º de Dezembro do calendário de feriados sem terem a noção que, graças aos Conjurados, neste dia Portugal voltou a ser um País independente e soberano após 60 anos de dominio espanhol.
Que tristeza....