domingo, 28 de fevereiro de 2010

Os 5 golos do Benfica em Matosinhos. Um roubado!

Golo (mal) anulado a Di Maria.



Golo do Benfica!
Remate de Éder Luís do meio da rua, a bola sofre um desvio num defesa do Leixões e engana Diego. Está feito o primeiro.



Golo do Benfica!
Ramires serve Di María que descaído na esquerda, rematou cruzado, Diego ainda tocou na bola, mas não impediu que esta se alojasse no fundo das redes.



Golo do Benfica!
Grande passe de Carlos Martins para as costas dos defesas do Leixões, Di María agradece a oferenda e com pé direito faz um chapéu monumental a Diego. Golaço do criativo argentino.



Golo do Benfica!
Maxi Pereira, à entrada da área, deixa para Di María que, de pé esquerdo, desfere um tiro potentíssimo, não dando hipóteses a Diego.
Hat-trick puro do astro argentino.

Povo Heroico e Aventureiro

A dada altura da minha vida fui convidado para dar voz a um poema de João José Nogueira.
Este poema serviria para a Comemoração dos 500 anos dos Descobrimentos Portugueses.
Com voz e música de Dominique Ventura aqui fica um filme realizado por mim.

Fado em Abrantes dois fins de semana seguidos




Como vos contei em postagens anteriores, estive em Abrantes numa noite muito linda de Fado para o Projecto "Um dia pela Vida", a convite da minha querida Amiga Paula Villaverde.
Com muitos amigos Fadistas e uma assistência de cerca de trezentas pessoas.
Ficam aqui algumas fotos do Grupo de Fadistas que tive o privilégio de apresentar.


Na sexta feira, dia 26, estive em Rossio ao Sul do Tejo, a convite do meu Amigo João Guiomar (retido no leito no Hospital de Coimbra devido a um implante de um rim), afim de apresentar fado e Fadistas, para o Agrupamento 697 dos Escuteiros locais.
Graças ao Chefe Américo aqui ficam algumas fotos dessa noite.









sábado, 27 de fevereiro de 2010

Uma Homenagem aos Forcados Amadores da Chamusca


O cabo do Grupo de Forcados Amadores da Chamusca, Nuno Marques, foi aniversariante ontem, sexta feira.
Ao dar-lhe os parabéns por mais um aniversário, pensei em fazer este video.
Espero que gostem tanto de o ver como eu de o fazer.

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Michael Bolton 57 anos


Michael Bolton nasceu na cidade de New Haven, Connecticut, Estados Unidos, em 26 de Fevereiro de 1953.
Michael Bolton, nome artístico de Michael Bolotin, é um músico, compositor e cantor, que vendeu mais de 53 milhões de álbuns em todo o mundo e tornou-se famoso em meados dos anos 1980 e início da década de 1990.
Oriundo de uma família judia de origem russa, Bolton é o mais novo de três irmãos.
Apesar de ser essencialmente um cantor de heavy metal, Bolton também é conhecido como um cantor de soft-rock, baladas e até como tenor.
Aproveitando o sucesso obtido como compositor, co-escreveu o tema How Am I Supposed To Live Without You, para Laura Branigan, cantora mundialmente conhecida como a intérprete de Gloria, que fez parte da trilha sonora do musical Flashdance, de 1982.
A canção quase chegou ao top 10 das rádios americanas onde se manteve durante três semanas.
Graças ao sucesso alcançado, Branigan e Bolton decidiram então a voltar a trabalhar juntos, agora com a canção I Found Someone, de 1985, que não repetiu o sucesso anterior.
Em 1987, porém, a cantora Cher fez desta música um hit.
Desde então Michael trabalha compondo para outros artistas.
A sua popularidade aumentou quando começou a co-escrever para artistas como BabyFace, Diane Warren, Bob Dylan, Barbra Streisand, KISS, Kenny Rogers, Kenny G, Patti LaBelle, entre outros.
Em fins da década de 80, Bolton alcançou fama mundial ao gravar baladas românticas. Um de seus maiores sucessos foi com a interpretação de (Sittin' On) the Dock of the Bay, regravação de um clássico de Otis Redding.
Assim, Bolton começou a interessar-se por soul e por clássicos da Motown, chegando até a regravar Georgia on My Mind, sucesso de Ray Charles.
Bolton também fez inúmeras parcerias como cantor.
Entre as mais frutíferas figuram as com Plácido Domingo, Luciano Pavarotti, José Carreras, Lucia Aliberti, Patti LaBelle, Celine Dion, Ray Charles, Percy Sledge e BB King.

Mais Um Fim de Semana... Activo!

Como é bom um fim-de-semana.

Tempo para descansar após uma semana de trabalho.

Com o tempo que se prevê e que se anuncia, o melhor será ficar em casa.

Não será concretamente o meu caso.

Sempre há fado e fadistas para apresentar, hoje em Rossio ao Sul do Tejo, amanhã em Almeirim.


Lá virá o Domingo, mas nem esse dia será de ficar em casa.

Haverá teatro. Na Golegã. Campinos, Mulheres e Fado.

Uma opereta que está a fazer sucesso e fulgor.

E a minha pobre garganta ainda por recuperar desta maldita rouquidão.

Nessa azáfama de verdadeiro “artista” (deixem-me rir) vou socializando e vendo o tempo escoar, mas sempre ao serviço da comunidade.

Acreditem que isso me satisfaz de sobremaneira.

Pelo meio, e nas tardes de sábado e domingo, sempre poderei ver uma ou outra corrida de toiros através da televisão espanhola.

São paixões diversas.

Mal do homem que não tem vários amores.

Há muitos anos que assim é.

Há quem diga que a vida continua igual.

Mas não.

Cada dia é um dia.

Cada fim-de-semana é diferente.

Nem que seja para descansar. Mas só para alguns.

Bom fim-de-semana.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Na Recordação, fica a Saudade

Oh Meu País Guerreiro e Mareante,
Oh meu País de montes e trigais,
Descansa nos meus braços um instante
E diz-me por favor, aonde vais.

O teu corpo cansado está doente
O tempo p’ra viver não é demais
Pára de rir assim tão doidamente
E diz-me por favor aonde vais


Este poema, da autoria de uma poetisa minha conterrânea, traduz, agora e bem, o que se passa neste nosso pobre País.
Com a experiencia de vida adquirida, não seria para ela difícil prever o que poderia vir, e está, a acontecer.
A pergunta que então fazia tinha o seu quê de propósito. “Diz-me por favor aonde vais?”
Na casa onde viveu, com ela mantive diálogos, e ali se reuniram fadistas e guitarristas.
Serões inolvidáveis de cultura, amizade, fraternidade e de bom gosto.
O seu inigualável sorriso, a sua voz grave e arrastada, as palavras em poucas frases e pensadas.
Uma Senhora no trato.
Bem a recordo no seu passo compassado apoiada, nos seus últimos tempos, na sua bengala ou ainda sentada junto da camilha, tendo como pano de fundo a enorme estante recheada de antigos e valiosos livros.
Morava ali, naquela casa solarenga, apalaçada.

Foi, em tempos, grande o corrupio dos três filhos, depois dos dez netos e dos muitos amigos e restantes familiares que a visitavam com regularidade.
O tempo passava e o desfecho, inevitável, era quase previsível.
Em tempo de entrevista foi-lhe perguntado se não tinha medo da morte à qual replicou, com resignação e fé católica, que tinha mais medo do que pudesse advir após.
Ela era a trave da casa, o pólo aglutinador da família.
Um dia fechou os olhos e tudo se desmoronou.
Apenas ficou a casa… com muitas histórias para recordar.
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O Tejo, Rei e Senhor destas Terras de Leziria

Nós, os da beira Tejo, há muito que nos habituámos ás cheias. São uma riqueza para as terras, aquelas águas. Matam a "bicharada" que é nociva e fertilizam as úberes terras de aluvião de onde nos chegarão os produtos hortícolas tão famados.

"... e quando o Rio zangado, vem de novo,
arrebatar o sangue do seu povo,
rasgar seu ventre de mulher fecunda,
sacode com vigor o seu abraço
e a força desmedida do seu braço
de verde esperança sua face inunda."
D. Mimela






Esta tarde, como muitos mais, fui à beira Tejo ver como estavam os niveis das águas.
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David Mourão-Ferreira nasceu há 83 anos


Nasceu na cidade de Lisboa em 24 de Fevereiro de 1927 e faleceu a 16 de Junho de 1996.

Escritor e poeta, licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1951, onde mais tarde, em 1957, foi professor, destacando-se como um dos maiores poetas portugueses do Século XX.

Mourão-Ferreira escreveu para vários jornais e revistas, dos quais se destacam a Seara Nova e o Diário Popular, e foi um dos fundadores da revista Távola Redonda.

No pós-25 de Abril, foi director do jornal A Capital e director-adjunto do O Dia.

No governo, desempenhou o cargo de Secretário de Estado da Cultura (de 1976 a Janeiro de 1978, e em 1979).

Foi autor de alguns programas de televisão de que se destacam "Imagens da Poesia Europeia", para a RTP.

Autor de letras para vários fados entre os quais Barco Negro, Solidão, Madrugada de Alfama, Maria Lisboa, Abandono, Anda o Sol na Minha Rua, Sombra, etc., imortalizados pela voz de Amália Rodrigues.













Mulher, Mulher, Mulher….

Há canções que têm letras difíceis de decorar, outras, porém, são tão fáceis que rapidamente ficam no ouvido e na mente.

É o caso desta canção, composta já há alguns anos mas que só agora foi gravada.
É o seu autor Neguinho da Beija-Flor que transformou esta canção num dos sucessos do último carnaval.

A canção tem 175 palavras, 98 das quais é a palavra… mulher!

Será obsessão?


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Zeca Afonso faleceu há 23 anos


Zeca Afonso foi um notável compositor de música de intervenção, durante um dos mais conturbados períodos da história recente portuguesa. Como compositor, soube conciliar de forma notável a música popular e os temas tradicionais com a palavra de protesto.

José Afonso, de nome completo José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, nasceu em Aveiro, a 2 de Agosto de 1929, filho de José Nepomuceno Afonso, magistrado, e de Maria das Dores, professora primária.

Em 1930 os pais vão para Silva Porto (actual Cuíto), Angola, onde o pai havia sido colocado como Delegado do Ministério Público. Por razões de saúde, José Afonso permanece em Aveiro, na casa da Fonte das Cinco Bicas, confiado à tia Gigé e ao tio Xico, um "republicano anticlerical e anti-sidonista". Por insistência da mãe, em 1932, e já com três anos e meio de idade, segue para Angola, no vapor Mouzinho, acompanhado por um primo que ia em lua-de-mel, e que o deixa ao abandono vindo a agarrar-se a um sacerdote, a única pessoa que lhe presta atenção.

Permanece três anos na antiga colónia portuguesa, e aí inicia a instrução primária. José Afonso diz que esta permanência em África deixou uma marca profunda na sua vida: «a África era uma coisa imensa, uma natureza inacessível que não tinha fim, contactos com fenómenos da natureza extremamente prepotentes como eram as grandes trovoadas, os gafanhotos, florestas, travessias de rios em barcaças, etc., etc. (...) A África como entidade física é uma coisa que pesou muito na minha vida e nas minhas recordações». Em 1936 regressa a Aveiro, passando a viver na casa de uma tia materna. No ano seguinte, com 8 anos de idade, vai de novo ao encontro dos pais e dos irmãos, agora em Moçambique, mais concretamente na cidade de Lourenço Marques (actual Maputo). Os irmãos serão uma presença forte na vida de José Afonso: João, mais velho, é uma figura próxima da estrutura do clã, que o apoiará em ocasiões difíceis um pouco ao longo de toda a sua vida; Mariazinha, mais nova, concitará os seus afectos, bem patentes nas cartas que lhe escreve. Regressa a Portugal, passados dois anos, desta vez para casa do tio Filomeno, presidente da Câmara Municipal de Belmonte. É nesta vila da Beira Baixa que Zeca conclui a quarta classe e prepara o exame de admissão ao liceu. O tio, salazarista convicto e comandante da Legião Portuguesa, fá-lo envergar a farda da Mocidade Portuguesa. «Foi o ano mais desgraçado da minha vida», confessaria Zeca mais tarde. Não obstante, é neste período que José Afonso toma contacto com as canções tradicionais que virão a ter uma grande importância na sua obra.

Em 1940, com 11 anos de idade, vai para Coimbra para prosseguir os estudos ficando instalado em casa da tia Avrilete. É matriculado no Liceu D. João III (hoje Escola Secundária José Falcão) e aí conhece António Portugal e Luiz Goes, ambos mais novos do que ele. A família deixa Moçambique e parte para Timor, onde o pai vai exercer as funções de juiz. A irmã Mariazinha vai com os pais, enquanto seu irmão João vem para Portugal. Com a ocupação de Timor pelos Japoneses, no âmbito da Segunda Guerra Mundial, José Afonso fica sem notícias dos pais durante três anos, até ao final da guerra, em 1945.

Nesse mesmo ano (andava no 5.º ano do liceu) começa a cantar serenatas, o que lhe dá não só estatuto mas também privilégios praxistas. José Afonso, a quem chamavam "bicho-cantor" ("bicho" era a designação praxística para os estudantes liceais), gozava, por exemplo, do privilégio de não ser "rapado" pelas trupes que, depois do pôr-do-sol, saíam para as ruas da cidade à procura de "bichos" e caloiros. Em acumulação, Zeca beneficiava também desse tratamento especial, por jogar futebol nos juniores da Académica. Em 1948, após dois chumbos, completa o curso dos liceus. Conhece Maria Amália de Oliveira, uma costureira de origem humilde, com quem vem a casar em segredo, por oposição dos pais, e para grande escândalo das tias. Faz viagens com o Orfeão e com a Tuna Académica.

Em 1949 inscreve-se no curso de Ciências Histórico-Filosóficas, da Faculdade de Letras. Vai a Angola e Moçambique integrado numa comitiva do Orfeão Académico da Universidade de Coimbra. Em Janeiro de 1953 nasce-lhe o primeiro filho, José Manuel. Dá explicações e trabalha como revisor no Diário de Coimbra. A condição de estudante e de trabalhador fá-lo tomar consciência dos problemas sociais que o marcariam de forma decisiva: «Havia uma sociedade de indivíduos que viviam na Alta ou na Baixa economicamente depauperados: barbeiros, merceeiros, profissões dependentes do estudante. Recordo-me que as criadas viviam num estado de fome permanente nas férias grandes e começavam a comer quando os estudantes regressavam. (...) Lembro-me do estatuto de estudante que era, apesar de tudo, compatível com uma certa compreensão humana da situação dessa gente. Esta visão sentimental do que eram as desigualdades sociais motivou uma certa transformação em mim. A visão poético-estudantil em que eu me considerava um herói de capa e batina, um cavaleiro andante, desapareceu ou foi desaparecendo com o tempo e à medida que fui vivendo numa situação económica extremamente difícil com os meus dois filhos no Beco da Carqueja».

São editados os seus primeiros trabalhos discográficos – dois discos de 78 rotações com fados de Coimbra, com chancela da Alvorada, e gravados na delegação regional de Coimbra da Emissora Nacional. Cada disco inclui dois fados, sendo "Fado das Águias", com letra e música de José Afonso, a sua primeira composição gravada.

De 1953 a 1955, cumpre o serviço militar obrigatório em Mafra. Recebe guia de marcha para Macau, mas não chega a ser mobilizado por motivos de saúde, vindo a ser colocado num quartel de Coimbra. Da sua vida militar recorda: «Eu fui o menos classificado de todo o curso por falta de aprumo militar».

No ano lectivo 1955/56, e para assegurar o sustento da família, e embora não tendo ainda concluído o curso, começa a dar aulas num colégio privado em Mangualde. Inicia-se o processo de separação e posterior divórcio de Amália (a 1 de Junho de 1963). José Afonso manterá uma névoa de silêncio em redor desta sua experiência conjugal.

Em 1956 é editado, pela Alvorada, o seu primeiro EP intitulado "Fados de Coimbra", em que tem como acompanhadores António Portugal e Jorge Godinho (guitarras) e Manuel Pepe e Levy Baptista (violas). Em 1956/57 é professor em Aljustrel, seguindo-se nos anos subsequentes Lagos, Faro, Alcobaça e de novo Faro. José Afonso fala assim da sua experiência enquanto docente: «A minha acção como professor era mais de carácter existencial, na medida em que queria pôr os alunos a funcionar como pessoas, incutir-lhes um espírito crítico, fazer com que exercitassem a sua imaginação à margem dos programas oficiais».
Por dificuldades económicas, em 1958 envia os dois filhos (José Manuel e Helena) para Moçambique, para junto dos avós. Neste ano fica impressionado com a campanha eleitoral de Humberto Delgado. Durante um mês integra a digressão da Tuna Académica em Angola, mas não canta apenas fados de Coimbra. «O Zeca era um dos vocalistas do Conjunto Ligeiro da Tuna e cantava canções como "Adeus Mouraria", o seu maior sucesso, acompanhado ao piano, baixo, bateria, acordeão e guitarra eléctrica. Actuávamos vestidos com umas largas blusas de cetim, cada uma de sua cor, imitando a orquestra de mambos de Perez Prado, o máximo da altura. Acabada esta cena de 'show-biz', vestíamos rapidamente a capa e batina e íamos para a serenata, mutantes do sol para a lua» conta José Niza. Na viagem de regresso, no Paquete Pátria, convive com a poetisa Natália Correia, que mais tarde lhe dedicará um poema (transcrito em epígrafe). «Sob o luar quente dos trópicos, íamos à noite para a ré do navio, com violas, vinho e poesia: o Zeca cantava; e a Natália – cabelos ao vento, deusa grega, nessa altura e sem exagero, uma das mulheres mais belas do planeta – dizia poemas» recorda José Niza.

Em 1959 começa a frequentar colectividades e a cantar regularmente em meios populares. Em 1960, e depois de quatro anos sem gravar, é editado o EP intitulado "Balada do Outono", com chancela da Rapsódia, disco que inaugura o movimento da balada coimbrã e um marco na História da música portuguesa. A propósito da "Balada do Outono" (Águas das fontes calai / Ó ribeiras chorai / Que eu não volto a cantar) escreve Manuel Alegre: «A canção de Coimbra não voltaria a ser a mesma, a música ligeira portuguesa também não. Aquela balada era nova e ao mesmo tempo muito antiga. Tudo estava nela: a tradição trovadoresca, os cantares de amigo, os romances populares. E também o espírito de um tempo de mudança». Faz nova digressão a Angola, com o Orfeão Académico, durante a qual toma verdadeira consciência da realidade colonial. José Niza recorda: «Fomos encontrar uma Angola diferente. Tinha-se dado a independência do Congo Belga e todo o território estava cheio de retornados belgas. A PIDE tinha-se instalado em Luanda e noutras cidades. E sentiam-se no ar, nas entrelinhas das conversas, nos olhares, os sinais de que alguma coisa iria acontecer». No ano seguinte rebentava a Guerra Colonial.

José Afonso segue atentamente a crise estudantil de 1962. Em Faro convive com Luiza Neto Jorge, António Barahona, António Ramos Rosa e Manuel Pité, e namora com Zélia, natural da Fuzeta, que será a sua segunda mulher e com quem terá mais dois filhos, Joana e Pedro. É José Afonso quem nos diz: «O conhecimento da Zélia, num lugar do Algarve, reconciliou-me com a água fresca e com os tons maiores. Passei a fazer canções maiores». Para o álbum colectivo "Coimbra Orfeon of Portugal", editado pela Monitor (dos Estados Unidos), José Afonso grava dois temas – "Minha Mãe" e "Balada Aleixo" – em que rompe definitivamente com o acompanhamento das guitarras. Nestas duas baladas é acompanhado exclusivamente à viola por José Niza e Durval Moreirinhas. Realiza digressões pela Suíça, Alemanha e Suécia, integrado num grupo de fados e guitarras, na companhia de Adriano Correia de Oliveira, José Niza, Jorge Godinho, Durval Moreirinhas e ainda da fadista lisboeta Esmeralda Amoedo. Em 1963, conclui a licenciatura na Faculdade de Letras de Coimbra com uma tese sobre Jean-Paul Sartre: "Implicações Substancialistas na Filosofia Sartriana". Em 1962 e 1963 são editados dois EP intitulados "Baladas de Coimbra", com Rui Pato à viola, dos quais fazem parte as belíssimas "Menino d'Oiro", "No Lago do Breu", "Canção do Vai... e Vem" e "Menino do Bairro Negro", esta última inspirada nos meios sociais miseráveis do Porto, no Bairro do Barredo. A balada "Os Vampiros", incluída no EP de 1963, tornar-se-á, juntamente com a "Trova do Vento que Passa" (gravada no mesmo ano por Adriano Correia de Oliveira), um dos símbolos maiores da resistência antifascista até ao advento da liberdade.

Em Maio de 1964, José Afonso actua na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, onde se inspira para fazer a canção "Grândola, Vila Morena", que viria a ser no dia 25 de Abril de 1974 a senha do Movimento das Forças Armadas (MFA) para o derrube do regime ditatorial. É editado o EP "Cantares de José Afonso", o único para a Valentim de Carvalho, que inclui "Coro dos Caídos", "Canção do Mar", "Maria" (dedicada a Zélia) e "Ó Vila de Olhão", com Rui Pato à viola, excepto na última que é acompanhada pelo conjunto de guitarras de Jorge Fontes. As três primeiras viriam a ser depois incluídas num álbum colectivo com Carlos Paredes e Luiz Goes (reeditado em CD pela EMI-VC em 1992). Ainda em 1964, muda-se com Zélia para Lourenço Marques, onde reencontra os seus filhos e os pais. Durante dois anos dá aulas na cidade da Beira. Em Moçambique desenvolve intensa actividade anticolonialista e relaciona-se, entre outros, com Malangatana e António Quadros (João Pedro Grabato Dias), que vem a contribuir com algumas letras para o repertório do cantor. Aí compõe a música para a peça de Bertolt Brecht "A Excepção e a Regra", traduzida e encenada por Luiz Francisco Rebello, cujos temas virá posteriormente a gravar.

Em 1967, esgotado pelo sistema colonial, regressa a Lisboa, deixando o filho mais velho, José Manuel, confiado aos avós. José Afonso recorda assim a sua última fase africana: «Se houve alguma coisa em África que me marcou definitivamente foi a realidade colonial. Quando eu parti ia preparado para enfrentá-la: sabia quais os seus contornos e o papel que me cabia como professor, quais os alunos que ia ensinar. Sabia também que ia ser um veículo de transmissão ideológica de uma classe dominante. (...) Fiquei terrivelmente ligado àquela realidade física que é a África, aquilo tem de facto qualquer coisa de estranho, uma força muito grande que nos seduz. O meu baptismo político começa em África. Estava a dois passos do oprimido».

É colocado como professor em Setúbal, e a par das funções lectivas começa a aceitar convites para cantar em colectividades da Margem Sul. Fica sob a mira da PIDE que o passa a chamar com relativa assiduidade para prestar declarações no posto de Setúbal. É editado, pela Discoteca Santo António, através da etiqueta Ofir, o LP "Baladas e Canções", gravado nos Estúdios da RTP em Vila Nova de Gaia (reeditado em CD pela EMI-VC em 1997). É o primeiro álbum a sério de José Afonso, com 12 temas, entre os quais "Canção Longe", "Os Bravos", "Balada Aleixo", "Balada do Outono" (em versão instrumental), "Na Fonte Está Lianor" (com poema de Luís de Camões), "Minha Mãe", "Altos Castelos", "O Pastor de Bensafrim" e "A Ronda dos Paisanos". Sofre uma grave depressão que o leva a ser internado durante 20 dias na Casa de Saúde de Belas. Quando sai da clínica, recebe a notícia de que tinha sido demitido do ensino oficial. É publicado o livro "Cantares de José Afonso", pela Nova Realidade. O PCP convida-o a aderir ao partido, mas José Afonso recusa invocando a sua condição de classe. «Nunca fui um indivíduo com certezas dogmáticas acerca de grupos ou partidos preferenciais. Comecei por me relacionar, sobretudo na Margem Sul, a associações de estudantes fortemente politizadas, por um lado, e a determinadas organizações políticas, como por exemplo os Católicos Progressistas, por outro. Achava que todos aqueles grupos eram necessários para formar um movimento que conduzisse ao derrube do poder. Qual seria depois o partido ou organização que surgiria após o derrube do poder, não sabia.»

Mais uma vez confrontado com necessidades de subsistência, é obrigado a dar explicações e a encarar mais seriamente a carreira musical, designadamente através da gravação de discos. Cientes da situação, Rui Pato e António Portugal contactam várias editoras, incluindo aquelas para as quais Zeca já gravara antes, mas todas lhes fecham as portas, com medo da PIDE. Então, em desespero de causa, vão ao Porto falar com Arnaldo Trindade, da Orfeu, para a qual Adriano Correia de Oliveira, já gravava há anos. A proposta era nem mais nem menos que a gravação de "Cantares do Andarilho". Arnaldo Trindade aceita a ideia, assume os riscos e propõe um contrato sui generis: José Afonso passaria a receber, mensalmente, 15 mil escudos (quantia nada desprezível na altura) e em troca comprometia-se a gravar um álbum por ano. Foi através deste vínculo à Orfeu, para a qual gravou mais de 70 por cento da sua obra, que Zeca alcançou a estabilidade económica que nunca tivera, e de que tanto precisava em face dos seus encargos familiares. No Natal de 1968, sai o sugestivamente intitulado "Cantares do Andarilho", com Rui Pato à viola, sem dúvida alguma, um dos melhores álbuns da sua discografia. Deste disco fazem parte, entre outros, temas como "Natal dos Simples", "Balada do Sino", "Canção de Embalar", "Endechas a Bárbara Escrava (com poema de Luís de Camões), "Chamaram-me Cigano" e "Vejam Bem".

Em 1969, a Primavera marcelista abre perspectivas de organização ao movimento sindical. José Afonso participa activamente neste movimento, assim como nas acções dos estudantes em Coimbra. Em 1969 , participa no 1º Encontro da "Chanson Portugaise de Combat", em Paris. Edita o álbum "Contos Velhos, Rumos Novos" e o single "Menina dos Olhos Tristes" que contém a canção popular "Canta Camarada". Em "Contos Velhos, Rumos Novos", e fazendo jus ao título, continua e aprofunda a exploração do repertório da tradição popular ("Oh! Que Calma Vai Caindo", "S. Macaio", "Deus Te Salve, Rosa", "Lá Vai Jeremias"), ao mesmo tempo que põe em música uma plêiade de escritores eruditos: Airas Nunes ("Bailia"), F. Miguel Bernardes ("Qualquer Dia"), Lope de Vega ("No Vale de Fuenteovejuna"), Luís Andrade Pignatelli ("Era de Noite e Levaram") e Ary dos Santos ("A Cidade"). Pela primeira vez num disco de José Afonso, aparecem outros instrumentos que não a viola ou a guitarra, como a trompa, as marimbas, o cavaquinho e a harmónica. Recebe o prémio da Casa da Imprensa para o melhor disco, distinção que repete em 1970 e 1971.

Em 1970 é editado o álbum "Traz Outro Amigo Também", gravado em Londres, nos estúdios da Pye Records, o primeiro sem Rui Pato, impedido pela PIDE de viajar, por causa do seu envolvimento na crise académica de 1969. Será substituído por Carlos Correia (Bóris), antigo músico de rock, dos Álamos e do Conjunto Universitário Hi-Fi. Além do tema-título, o alinhamento inclui temas como "Maria Faia", "Canto Moço", "Epígrafe para a Arte de Furtar" (com poema de Jorge de Sena), "Moda do Entrudo", "Canção do Desterro" e "Verdes São os Campos" (com poema de Luís de Camões). Na capital britânica, José Afonso conhece os brasileiros Gilberto Gil e Caetano Veloso, que aí se encontravam exilados por motivos políticos. Em Março de 1970, a Casa de Imprensa atribui a José Afonso, por unanimidade, o Prémio de Honra pela «alta qualidade da sua obra artística como autor e intérprete e pela decisiva influência que exerce em todo o movimento de renovação da música ligeira portuguesa». Participa em Cuba num Festival Internacional de Música Popular.

No Natal de 1971, é lançado o LP "Cantigas do Maio", com direcção musical de José Mário Branco, gravado em Herouville (perto de Paris), no Strawberry Studio, um dos mais caros e afamados da Europa. O álbum conta ainda com a participação de Carlos Correia (Bóris), Francisco Fanhais e vários músicos franceses, entre os quais, o percussionista Michel Delaporte. Além de "Grândola, Vila Morena", o disco inclui temas tão emblemáticos como "Cantigas do Maio", "Cantar Alentejano" (em homenagem a Catarina Eufémia, assassinada pela GNR), "Maio, Maduro Maio" e "Mulher da Erva". É geralmente considerado o melhor álbum de José Afonso e representa o momento de viragem para formas de acompanhamento instrumental mais enriquecidas e elaboradas. A editora Nova Realidade publica o livro "Cantar de Novo".

No ano de 1972 sai o LP "Eu Vou Ser Como a Toupeira", gravado em Madrid, nos Estúdios Cellada, sob a direcção musical de José Niza e com a participação de Benedicto, um cantor galego amigo de Zeca, e com o apoio dos Aguaviva, de Manolo Diaz. Deste álbum fazem parte, entre outros, os temas "A Morte Saiu à Rua" (em homenagem ao pintor José Dias Coelho, assassinado pela PIDE numa rua de Alcântara), "Ó Minha Amora Madura", "No Comboio Descendente" (com poema de Fernando Pessoa) e o belíssimo "Fui à Beira do Mar" (vide letra abaixo). Em 1973, José Afonso continua a sua "peregrinação", cantando um pouco por todo o lado. Muitas sessões foram proibidas pela PIDE/DGS. Em Abril é preso e fica 20 dias em Caxias até finais de Maio. Na prisão política, escreve o poema "Era Um Redondo Vocábulo", um dos temas mais belos do álbum seguinte, "Venham Mais Cinco", gravado em Paris, no Studio Aquarium, e que conta de novo com a direcção musical de José Mário Branco e com a participação de uma miríade de músicos estrangeiros, sendo de destacar Michel Delaporte nas percussões. O tema-título tem a participação vocal de Janine de Waleyne, solista dos Swingle Singers, o melhor grupo vocal de jazz cantado da altura, na opinião de José Niza. Além do conhecido tema que dá nome ao álbum, merecem ainda destaque três outros temas, autênticas pérolas do repertório de José Afonso: o citado "Era Um Redondo Vocábulo", "Adeus ó Serra da Lapa" e "Que Amor Não me Engana".

A 29 de Março de 1974, o Coliseu de Lisboa enche-se para ouvir José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Manuel Freire, José Barata Moura, Fernando Tordo e outros, que terminam a sessão com "Grândola, Vila Morena". Militares do MFA estão entre a assistência e escolhem "Grândola" para senha do golpe militar que está em congeminação e que se concretizará, daí a menos de um mês, no 25 de Abril. No dia daquele espectáculo, a censura avisara a Casa de Imprensa, organizadora do evento, de que eram proibidas as representações dos temas "Venham Mais Cinco", "Menina dos Olhos Tristes", "A Morte Saiu à Rua" e "Gastão Era Perfeito". Curiosamente, a "Grândola, Vila Morena" era autorizada. É editado o álbum "Coro dos Tribunais", gravado em Londres, novamente na Pye Records, com arranjos e direcção musical, pela primeira vez, de Fausto Bordalo Dias e com a participação musical do próprio Fausto e ainda de Michel Delaporte, Vitorino, Carlos Alberto Moniz, Yório Gonçalves, Adriano Correia de Oliveira e José Niza. São incluídas as canções brechtianas compostas em Moçambique no período entre 1964 e 1967, "Coro dos Tribunais" e "Eu Marchava de Dia e de Noite (Canta o Comerciante)". Em 1974/75 Zeca envolve-se directamente nos movimentos populares e no PREC (Processo Revolucionário Em Curso), mas faz questão de não se filiar em qualquer dos sectarismos partidários existentes. Canta no dia 11 de Março de 1975 no RALIS para os soldados e estabelece uma colaboração estreita com a LUAR (Liga de Unidade e Acção Revolucionária), através do seu amigo Camilo Mortágua, dirigente da organização. A LUAR edita o single "Viva o Poder Popular", com "Foi na Cidade do Sado" no lado B. Em Itália, as organizações revolucionárias Lotta Continua, Il Manifesto e Vanguardia Operaria editam o álbum "República", gravado em Roma nos dias 30 de Setembro e 1 de Outubro de 1975, nos estúdios das Santini Edizioni. As receitas do disco destinavam-se a apoiar a Comissão de Trabalhadores do jornal "República" ou, caso o jornal fosse extinto, como foi, o Secretariado Provisório das Cooperativas Agrícolas de Alcoentre. Desconhecido em Portugal, este álbum inclui "Para Não Dizer Que Não Falei de Flores" (versão de Francisco Fanhais da célebre canção de Geraldo Vandré), "Se os Teus Olhos se Vendessem", "Foi no Sábado Passado", "Canta Camarada", "Eu Hei-de Ir Colher Macela", "O Pão Que Sobra à Riqueza", "Os Vampiros", "Senhora do Almortão", "Letra para Um Hino" e "Ladainha do Arcebispo". Além de Francisco Fanhais, este disco teve o contributo de diversos músicos italianos.

Em 1976, Zeca apoia a candidatura presidencial de Otelo Saraiva de Carvalho, estratega do 25 de Abril e ex-comandante do COPCON (Comando Operacional do Continente), apoio que reedita em 1980. Ainda em 1976, publica o álbum "Com as Minhas Tamanquinhas", com a surpreendente participação de Quim Barreiros. É, na opinião de José Niza, «um disco de combate e de denúncia, um grito de alma, um murro na mesa, sincero e exaltado, talvez exagerado se ouvido e lido ao fim de 30 anos, isto é, hoje». É a "ressaca" do PREC. O próprio José Afonso dirá mais tarde: «Eu sempre disse que a música é comprometida quando o músico, como cidadão é um homem comprometido. Não é o produto saído desse cantor que define o compromisso mas o conjunto de circunstâncias que o envolve com o momento histórico e político que se vive e as pessoas com quem ele priva e com quem ele canta». E acrescenta: «Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia a dia procuro comportar-me como se ela fosse tangível. Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opressão, seja a que nível for». O álbum "Enquanto Há Força", editado em 1978, com o apoio de Fausto Bordalo Dias na direcção musical, representa mais um exemplo da fase cronista e panfletária do cantor, ligada às suas preocupações anti-colonialistas e anti-imperialistas, a que não escapa uma crítica mordaz à Igreja Católica (no tema "Arcebispíada"). Conta com a participação de excelentes músicos e cantores, como Guilherme Inês, Carlos Zíngaro, Pedro Caldeira Cabral, Rão Kyao, Luís Duarte, Adriano Correia de Oliveira e Sérgio Godinho. Em 1979 é editado o álbum "Fura Fura", com a colaboração musical de Júlio Pereira e dos Trovante. Dos doze temas do alinhamento, oito são de música para teatro, compostos para as peças "Zé do Telhado" e "Guerras de Alecrim e Manjerona", levadas à cena na Barraca e na Comuna, respectivamente.

Actua em Bruxelas no Festival da Contra-Eurovisão. Em 1981, e após dois anos sem discos, reconcilia-se com a canção de Coimbra e com a guitarra ao gravar o álbum "Fados de Coimbra e Outras Canções", no qual reinterpreta três temas já anteriormente gravados: "Senhora do Almortão", "Vira de Coimbra" e "Balada do Outono". Trata-se da mais bela versão do fado de Coimbra, interpretada por Zeca Afonso em homenagem a seu pai e a Edmundo Bettencourt, dedicatários do álbum. Actua em Paris, no Théatre de la Ville. Em 1982 começam a conhecer-se os primeiros sintomas de esclerose lateral amiotrófica, doença que se caracteriza por uma progressiva atrofia muscular de que resulta geralmente a morte, por asfixia. Actua em Bruges, Bélgica, no Festival de Printemps.

Em 29 de Janeiro de 1983 realiza-se o espectáculo no Coliseu dos Recreios, com José Afonso já em dificuldades. Participam Octávio Sérgio, António Sérgio, Lopes de Almeida, Durval Moreirinhas, Rui Pato, Fausto Bordalo Dias, Júlio Pereira, Guilherme Inês, Rui Castro, Rui Júnior, Sérgio Mestre e Janita Salomé. É publicado o duplo álbum "Ao Vivo no Coliseu".

No Natal desse ano, sai o álbum "Como Se Fora Seu Filho", o seu testamento estético-político. Neste trabalho colaboram Júlio Pereira, Janita Salomé, Fausto Bordalo Dias e José Mário Branco. Algumas das canções do alinhamento foram escritas para a peça "Fernão Mentes?" do grupo de teatro A Barraca. É publicado o livro "Textos e Canções", com a chancela da Assírio e Alvim, que inclui muitos poemas que José Afonso não chegou a musicar. Contra a sua vontade, é publicado pelo Foto Sonoro um maxi-single, "Zeca em Coimbra", com um espectáculo dado pelo cantor no Parque de Santa Cruz, na Lusa Atenas, a 27 de Maio, em que também participaram António Bernardino ("Tenho Barcos, Tenho Remos"), Luís Marinho ("Traz Outro Amigo Também") e ainda António Portugal e António Brojo (guitarras) e Aurélio Reis, Luís Filipe e Rui Pato (violas). A cidade de Coimbra atribui a José Afonso a Medalha de Ouro da cidade. «Obrigado Zeca, volta sempre, a casa é tua», disse-lhe o presidente da Câmara, Fernando Mendes Silva. «Não quero converter-me numa instituição, embora me sinta muito comovido e grato pela homenagem», respondeu José Afonso. O Presidente da República, general Ramalho Eanes, atribui a José Afonso a Ordem da Liberdade, mas o cantor recusa-se a preencher o formulário. Mário Soares tentará de novo condecorá-lo, a título póstumo, em 1994, com a Ordem da Liberdade, mas a mulher, Zélia, recusa, alegando que se José Afonso não desejou a distinção em vida, também não seria após a sua morte que seria condecorado.

Em 1983 José Afonso é reintegrado no ensino oficial (fora expulso em 1968), tendo sido destacado para dar aulas de História e de Português na Escola Preparatória de Azeitão. Em 1985 é editado o último álbum, "Galinhas do Mato", com arranjos e direcção musical de Júlio Pereira e José Mário Branco. Zeca já não consegue cantar todos os temas, sendo substituído por Luís Represas ("Agora"), Helena Vieira ("Tu Gitana"), Janita Salomé ("Moda do Entrudo", "Tarkovsky" e "Alegria da Criação"), José Mário Branco ("Década de Salomé", em dueto com Zeca), Né Ladeiras ("Benditos") e Catarina e Marta Salomé ("Galinhas do Mato"). Em 1986 apoia a candidatura presidencial de Maria de Lourdes Pintassilgo, católica progressista.

José Afonso vem a falecer no dia 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, às 3 horas da madrugada, vítima de esclerose lateral amiotrófica, com 57 anos de idade. O funeral realiza-se no dia seguinte, com mais de 30 mil pessoas, da Escola Secundária de S. Julião para o Cemitério da Senhora da Piedade, em Setúbal. O funeral demorou duas horas a percorrer 1300 metros. Envolvida por um pano vermelho sem qualquer símbolo, como pedira, a urna foi transportada, entre outros, por Sérgio Godinho, Júlio Pereira, José Mário Branco, Luís Cília e Francisco Fanhais.













Fado, Toiros e Teatro, muito por onde escolher no próximo fim de semana


Sábado à noite, 21.30h, no Cine-teatro de Almeirim, aí estarei para apresentar três grandes nomes do fado no Feminino.

Maria da Nazaré, Maria Armanda e Anita Guerreiro, que serão acompanhadas à guitarra por Ricardo Rocha, à viola por João Chora e noa viola baixo por Fernando Calado (Nani)


Domingo à tarde estarei no Cine-Teatro da Golegã com a Opereta Campinos Mulheres e Fado Aí estarão Victor Hugo, Elsa Mendes, António José Mendes, Carlos Petisca, Custódia Solca, entre muitos outros, encenados por João Coutinho, em mais uma representação deste grande sucesso do momento


Quem quiser estar solidário com a Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca, poderá ir presenciar o grande Festival Taurino que se realizará ás 16 horas na Praça Palha Blanco em Vila Franca. Os Cavaleiros Vitor Ribeiro, Manuel Telles Bastos, Manuel Caetano, Francisco Palha e Tomás Pinto e os espadas Vitor Mendes e Nuno Casquinha e ainda os Forcados Amadores de Vila Franca, perante toiros de diversas ganadarias completam os cartel

domingo, 21 de fevereiro de 2010

TRAGÉDIA na MADEIRA

Ontem, a meio da tarde, a minha esposa recebia uma chamada da sua Mãe alertando-a para umas imagens que passavam na RTPN.

A ilha da Madeira sofria um temporal que devastava uma boa parte da cidade do Funchal, e não só.

Uma profunda e infinita tristeza invadiu-nos de imediato.

Não conseguimos calcular a dimensão da tragédia.

Um caos, uma catástrofe.

Confirmados mais de 40 mortos.

As imagens falam por si.











sábado, 20 de fevereiro de 2010

Chamusca, Olivença, Abrantes.... uma maratona.

O tão ansiado, procurado, desejado, pretendido, ambicionado, apetecido, cobiçado abono para as corridas de toiros de Olivença já cá mora. Não foi fácil, também não foi difícil, adquiri-los. Na quinta-feira, quando me propus a ir buscá-los, eis que, pouco antes de Pavia, o meu Skoda empanou e, logicamente, tive de voltar para trás, rebocado.

Felizmente há Amigos, ainda bem que os há, que se disponibilizam para ajudar ou acudir. Foi o caso do João Chora que, ao saber da minha inquietação e adversidade, de imediato me sossegou dizendo-me que não se importava de me levar logo após finalizar o seu labor profissional.

Às 15:43h de sexta-feira,partimos rumo a Olivença onde chegámos por volta das 17:30h. video

Adquiridos os bilhetes, e combinados que estávamos para ir ver o espectáculo de Ana Moura a Abrantes, rumámos até Cabeço de Vide onde aí, sabendo da existência de um café, "O Antiquário",único no País, no género, direi, ali petiscámos.

A D. Vicência, que é uma simpatia de senhora, prontamente se dispôs a preparar uma cacholeira, uma farinheira e uma omeleta assim como uma saladinha de agriões. Um tintinho a acompanhar e a breve presença de Jorge Matos Silva, um amigo da velha guarda.

Eis-nos chegados, quase em cima da hora, para o espectáculo de Ana Moura no Cineteatro de Abrantes. Durante hora e meia, Ana Moura cantou e encantou-nos com alguns fados do seu imenso repertório, baseando-se no seu último trabalho discográfico “Leva-me aos Fados”.

Após o espectáculo terminámos a noite, bem acompanhados, no Bar “O Alcaide”, que eu recomendo vivamente, junto ao Castelo de Abrantes, de onde se obtém uma vista fantástica.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Um Fado pela Vida em Abrantes, amanhã, sábado dia 20, ás 20.30h


A Quinta das Sentieiras em Abrantes irá receber uma grande Noite de Fado por ocasião do Projecto Um dia Pela Vida, da Liga Portuguesa contra o Cancro.

As vozes de António de Noronha, Dora Maria, Francisco Cordeiro, João Chora, João Guiomar, José Lebre, José Maria Lebre, Manuel da Câmara, Maria da Graça Noronha, Pali Cid, Mariana Noronha, Teresa Pinheiro e Tina Jofre, serão acompanhadas pelas guitarrras de Edmundo Albergaria, Bruno Mira e Alfredo Gomes e as violas de João Chora e Mário Moura.
Lá estarei também, tentando apresentar, apesar da rouquidão.

Ana Moura, hoje em Abrantes


Um dos grandes nomes do fado contemporâneo, Ana Moura, vai estar em Abrantes para um grande concerto dia 19 de Fevereiro (6ª feira), às 21h30, no palco do Cineteatro S. Pedro.

Os bilhetes (10€) estão à venda no Posto de Turismo.

Dona de uma voz profunda, Ana Moura, tem sido uma embaixadora cultural de Portugal no mundo. Cedo desenvolveu o gosto por vários estilos musicais tendo sido o fado uma presença constante na sua carreira. Já actuou em grandes palcos e em prestigiadas salas de espectáculos como no “Carnegie Hall”, de Nova Yorque.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Chamusca, elevada a Vila há 449 anos


Todas as terras têm o seu feriado municipal.

Ora por dia santificado, por entrega de foral, por razões históricas ou por data de elevação a vila ou cidade.

Em grande número de localidades do nosso Ribatejo (teimo em fazer referência à região) o dia mais consagrado é o da Ascensão.

Em Salvaterra de Magos, por exemplo, embora o feriado municipal seja o dia de Ascensão, a mais famosa festividade é a Festa do Foral, dos Toiros e do Fandango.

Em Santarém, comemora-se a data da conquista aos Mouros, sendo dia de São José.

Na Chamusca o dia grande é, também, o de quinta feira de Ascensão.

No entanto, há um dia de extrema importância para estas gentes, o qual nunca foi aceite como festivo.

No dia de hoje, 18 de Fevereiro, de há 449 anos, a Rainha regente D. Catarina, viúva de D. João III e avó de D. Sebastião, enviava uma carta régia elevando a vila este torrão.


É sobre esta data que incide hoje esta minha crónica.

No contentamento de poder fazer alusão a uma data ostracizada pela grande maioria dos habitantes e responsáveis da edilidade, mas com a esperança de, que para o ano em que se celebram 450 anos de elevação a vilas Chamusca e Ulme, esta data seja recordada como uma das mais importantes para o Concelho.

Ao contrário de outras vilas, tenho a consciência de quem nasceu para lagartixa, como é o caso, nunca chegará a jacaré.

O que outrora foi um Chã, a qual mandaram buscar (procurar), daí talvez a proveniência do seu nome (Chã busca), é uma mui nobre e respeitada vila do nosso Ribatejo, estando hoje de parabéns.

Eu não me esqueci!


Um pouco de história

Decorria ao ano de 1516.

Na Chamusca nascia um menino que seria baptizado com o nome de Rui (ou Ruy) Gomes da Silva.

Seu avô materno, Rui Teles de Menezes, conde de Unhão, era mordomo – mor da Infanta D. Isabel, filha de D. Manuel I.

D. Isabel veio a contrair matrimónio com o rei D. Carlos V de Castela.

Aquando da ida do séquito (comitiva real) para Espanha onde iriam ter lugar as cerimónias do casamento, Rui, com apenas nove ou dez anos, acompanhou o seu avô.

Desse casamento viria a nascer D. Filipe em Valladolid em Maio de 1527.

D. Maria de Noronha, avó de Rui Gomes da Silva, terá sido ama de D. Filipe, o primogénito de D. Carlos e de D. Isabel.

Rui Gomes da Silva, aos dezoito anos, era pajem na corte de Castela.

Depois de ter estado ao lado de D. Carlos V, na guerra que este manteve com D. Francisco I de França, e de acompanhar D. Filipe nas suas viagens e campanhas, começa a sua ascensão.

Começou por ser nomeado gentil-homem da câmara do príncipe, foi capitão de cavalos ligeiros, primeiro sumiller de corpo de Filipe, Comendador de Esparregal na Ordem de Alcântara e de Argamasilla na Ordem de Calatrava e ainda adiantado – mor de Cazorla.

Em 1556 já era conselheiro de estado, contador – mor de Castela e das Índias e Comendador de Herrera na Ordem de Alcântara.

Entretanto, Rui Gomes da Silva contraíra matrimónio com D. Ana de Mendonça e Lacerda, filha do príncipe de Melito, no ano de 1555.

Em Outubro desse mesmo ano, seu sogro renunciou e cedeu a Rui Gomes e a sua mulher, todos os seus estados, castelos, fortalezas, vassalos, etc.

Em 1559 D. Filipe II concede-lhe o título de príncipe de Eboli, na Sicília, e ainda o de marquês de Diano e do feudo de Lago – Pichiolo.

Em 1568 concedeu-lhe o título de duque da vila de Estremera assim como em 1571 Rui Gomes da Silva viu erigido, por mercê do Rei, um ducado perpétuo na vila de Pastrana a qual passou a ser capital dos seus estados e com a alta prerrogativa de “Grande de Espanha de primeira classe” inseparável desta dignidade.

Foi declaradamente por influência de Rui Gomes da Silva que Chamusca e Ulme, então pertencentes ao termo (Concelho) de Santarém, fossem elevadas a vilas, em carta régia de D. Catarina de Áustria, Habsburgo ou de Espanha, viúva de D. João III, irmã de D. Carlos V e avó de D. Sebastião, a 18 de Fevereiro de 1561.

É da maior importância que se celebre esta data, agora que se aproximam os 450 anos de elevação a Vilas de Chamusca e Ulme.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

José Mestre Batista faleceu há 25 anos


Filho de José Batista Pereira e Maria Júlia Mestre, “Tita”, como é conhecido e apelidado pelos familiares e amigos, desde criança demonstra um grande desejo de vir a tornar-se cavaleiro. Depois da instrução primária, por insistência dos pais, passa a frequentar um colégio em Évora, mas a sua vontade não aponta para o prosseguimento de estudos, pelo que falta constantemente às aulas.

Aos doze anos, já tem um cavalo – o “Ideal”, com ferro de seu pai, o qual põe a tourear apenas por intuição, visto não ter frequentado qualquer escola de equitação. Um ano mais tarde (1953), faz a sua primeira actuação, estreando-se na Praça de Touros de Mourão. A assistir está Luís Gonzaga Ribeiro, natural de Reguengos de Monsaraz, o homem que lança Mestre Batista no panorama tauromáquico, tornando-se seu apoderado, amigo e protector.

Frequenta, de seguida, a Escola de Equitação de Mestre Nuno de Oliveira, para aperfeiçoar a sua maneira de montar e, ao fim de quatro anos como amador, Mestre Batista recebe a alternativa de Cavaleiro Tauromáquico profissional a 15 de Setembro de 1958, na Praça Daniel Nascimento na Moita, depois de lhe ter sido recusada três meses antes, a 19 de Junho, no Campo Pequeno. Aprovada, desta vez por unanimidade, o cavaleiro tem como padrinho D. Francisco Mascarenhas.

É em Reguengos de Monsaraz, uma das primeiras praças, onde Mestre Batista consegue contrato depois da alternativa, estando presente nas corridas das Festas de Santo António desde o primeiro ano do seu aparecimento.

Na altura, recebe apenas cinco mil escudos por corrida, metade da média dos “cachets” dos cavaleiros da época, que se divide por dois bandarilheiros, motorista da camioneta, tratador dos cavalos, comida e dormida.

Apesar de muito criticado e apelidado, por alguns, de “louco”, devido ao arriscado e frontal toureio que pratica, depressa passa a alternar com cavaleiros de primeira categoria. A pouco e pouco, o público começa a render-se ao seu novo modo de tourear, assistindo-se a uma verdadeira revolução no toureio a cavalo, que deixa de ser um complemento da festa e passa para primeiro plano.

Arrastando multidões, pisa terrenos até então proibidos, lança os famosos “ferros à Batista” e institui um estilo próprio, que vem influenciar a maioria dos cavaleiros das gerações posteriores. A 10 de Junho de 1962, em Santarém, fica marcada uma das suas excelentes actuações, que termina com cinco voltas à arena e saída em ombros. Mas a revolução fá-la também ao nível do vestuário, tendo passado a usar casacas mais curtas e leves (acima do joelho), calções de várias cores, por cima de “collants” em vez das tradicionais meias.
Conserva, contudo, o uso do tricórnio, hoje mantido, pela maioria dos cavaleiros, apenas na execução das cortesias.

Alterna, em centenas de corridas, com Luís Miguel da Veiga, que, apesar de amigo, é considerado pelo público seu rival. Sempre com lotação esgotada, são o cartel mais anunciado, disputado e discutido durante quinze anos. Esta dupla faz aumentar o interesse pelo toureio a cavalo, trazendo milhares de aficionados para a Corrida à Portuguesa. Por três anos (1963, 64 e 71), é-lhe atribuído o prémio Bordalo, na categoria de Tauromaquia, como melhor cavaleiro.

Para além de Portugal Continental, o “cavaleiro da nova vaga”, como lhe chamam alguns, toureia nos Açores, em Luanda, Lourenço Marques (actual Maputo), Macau, Espanha e França. “Talismã” é um dos seus melhores cavalos. Apesar do sucesso que o vai acompanhando, nunca impõe nomes de ganadarias para tourear, nunca exige ou recusa alternar com qualquer cavaleiro, toureia em dezenas de Festivais e Corridas de Beneficência e demonstra sempre, segundo António Garçoa, seu Peão de Brega e amigo, extrema sensibilidade aos problemas dos mais necessitados.

Dos momentos menos bons, destacam-se colhidas graves nas Praças de Touros de Santarém, Espinho, Almeirim e Vila Viçosa e o facto de, a 26 de Novembro de 1967, na Moita, ter visto o seu trabalho arruinado, devido a inundações, que conduzem à morte de alguns dos seus cavalos de êxito. Mas o desânimo não se faz sentir, uma vez que Mestre Batista se dedica arduamente à selecção de novos cavalos.

Durante cinco meses, montando, por vezes, oito horas diárias, põe dois cavalos a tourear, mantendo-se como primeira figura do toureio a cavalo. Como a maioria dos cavaleiros, Batista é um homem com fé. Nossa Senhora de Aires é a Santa da sua devoção. Em Viana do Alentejo, numa capela com altar restaurado por si, deposita constantemente as flores recebidas nas corridas e baptiza o seu filho – João Manuel Duarte Bouça Mestre Batista, nascido a 22 de Julho de 1975, da união, primeiro no civil (9 de Outubro de 1973), depois na Igreja Católica (31 de Dezembro de 1973), com Emeletina Duarte Bouça.

Para além da arte de tourear, exerce funções como presidente do Sindicato dos Toureiros, tendo tomado posse a 6 de Janeiro de 1976, numa época em que muitas ganadarias e coudelarias estavam ocupadas, havendo tentativas de destruição do touro bravo e de raças selectas de cavalos. Juntamente com Manuel Conde, David Ribeiro Telles, António Badajoz e José Tinoca, integra a Comissão para a Defesa do Touro Bravo. Consegue também a reabertura do programa “Sol e Touros”, então silenciado.

Defensor dos touros de morte, assume ainda o papel de Director de Corrida, permitindo que se matem quatro touros, a 7 de Maio de 1976, em Vila Franca de Xira, depois de ter toureado na primeira parte. Aquando das comemorações dos seus 25 anos de alternativa, vê descerradas lápides em algumas Praças de Touros, como Moita, Évora e Reguengos de Monsaraz. A 17 de Fevereiro de 1985, em Zafra (Espanha), este “… toureiro de corpo inteiro que, praticamente sem ajudas de ninguém, se fez a si próprio, tornando-se num ídolo e marcando uma época,” vem a falecer vítima de um ataque de asma, doença de que padecia há já alguns anos.

Actualmente, o seu corpo jaz no cemitério de Vila Franca de Xira, em mausoléu. Por insistência de António Garçoa, Mestre Batista é ainda condecorado, a título póstumo, pelo Presidente da República (General Ramalho Eanes), sendo reconhecida e recordada a sua figura numa das sessões da Assembleia da República.

No dia em que se comemoravam os 22 anos do seu passamento, fui convidado pela Tertúlia Casta Pura para, conjuntamente com António Garçoa, fazer a evocação deste grande Toureiro.


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Bailes de Carnaval, outros tempos...


Neste último dia de Carnaval invade-me uma certa nostalgia de um tempo passado e que já não volta.

Um tempo em que a vida se vivia devagar, tranquila, sem sobressaltos e que ainda tinha mais colorido nesta quadra festiva.

As colectividades não tinham capacidade para acolher durante os cinco dias de folia, de sábado a quarta-feira, as centenas, senão milhares de foliões, locais e forasteiros, que ali se deslocavam para os famosos bailes de Carnaval.

Os excelentes grupos musicais desse tempo eram disputados fazendo, por vezes, o périplo pelas variadas colectividades.

Os bailes de então tinham outro encanto.

As filas que se faziam à entrada da pista de dança, de rapazes ávidos de se lançarem nos braços de raparigas, quantas vezes já requisitadas anteriormente.

Em breves sinaléticas ou num piscar de olho pretendia-se escolher o melhor par.

Por vezes, ao toque subtil e severo da mãe que atrás se sentava, lá vinha a “tampa”.

A negativa nem sempre era bem recebida e o balcão do bar é que (a)pagava a tristeza.

E os grupos organizados de mascarados que irrompiam sala adentro, fazendo com que nos puséssemos a adivinhar quem seriam.

Bons tempos, esses da década de setenta e princípios de oitenta.

Tudo passa.

Escrevo esta crónica hoje, último dia de Carnaval, em que é tradição, num derradeiro baile, haver tempo ainda para a crítica social, mordaz, inquietante, no enterro do Galo, que noutros locais terá o nome de Bacalhau, ou mesmo, simplesmente, enterro do Entrudo.

É o que resta, a par do jogo do quartão, de um carnaval que em tempos deu brado, com corsos e os Reis Momos, vacadas, bailes de arromba, mas que o tempo, e as pessoas, foram delapidando.

Outros tempos, outras vontades.


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A Tradição ainda é o que era... Jogo do Quartão e Enterro do Galo na Chamusca

O Entrudo na Chamusca é cheio de tradição. Na Quarta-Feira de cinzas, juntam-se os homens para um almoço de grelos e bacalhau, o qual é regado com bom vinho da Chamusca. De seguida dá-se início ao tradicional "Jogo do Quartão". Neste "ritual" os homens formam um círculo onde cirandam billhas de barro, e no qual, quem deixar cair a bilha no chão tem de pagar uma "rodada" a todos os participantes no balcão mais próximo. Uma tradição do povo Chamusquense... “Quer saber o que é o Jogo do Quartão? Então é melhor explicar-lhe agora. É que daqui a nada já está tudo a falar sozinho!” Foi assim o nosso primeiro contacto com esta tradição secular, que acontece todas as Quartas-feiras de cinzas na Chamusca. Um grupo de homens passeia pela vila e vai lançando o cântaro ou o quartão. Pelo caminho vão parando de tasca em tasca, onde lhes é oferecida comida e bebida. A “paródia” começa logo a seguir ao almoço e só termina depois da meia-noite, com o Enterro do Galo. Na Quarta-feira de cinzas, quando chega à hora de almoço, vários homens da terra juntam-se para comer grelos com bacalhau. Na altura, conta Francisco Lopes, “bebe-se logo uma pinga boa e depois partimos para a brincadeira”. Esta tradição acontece de forma espontânea. “Não há nenhuma organização para se fazer isto. A malta aparece. Para nós é um dos melhores dias da quadra carnavalesca.” Segundo os participantes, o Jogo do Quartão existe há mais um século. No início, quem lançava o cântaro de barro e fazia o enterro do galo eram as mulheres. Essa tradição foi desaparecendo e a partir de determinada altura o jogo passou para os rapazes. Roubavam os cântaros que serviam para ir buscar água à fonte e começavam a jogar. O cântaro era lançado de mão em mão e quem o partisse tinha que pagar uma rodada de vinho tinto aos outros participantes. Hoje em dia, paga-se a rodada ou uma multa. O dinheiro serve para comprar os cântaros para o ano seguinte. “Dantes, como haviam cântaros em todas as casas, as senhoras é que os davam para nós jogarmos. Outras, que não davam, nós entretínhamo-las à porta e outros iam roubar os cântaros para continuar a brincadeira”, conta Francisco Lopes. “Durante o percurso, vamos parando em casas das pessoas e nas tascas, que nos dão uns petiscos, uns chouriços, farinheiras e a malta vai petiscando e vai roubando um bocadinho de bacalhau. Pelo meio vamos bebendo. Chegamos a um ponto que isto é uma carga de trabalhos. Às vezes até mete assim uma zaragata”. Antigamente, os quartões eram carregados numa carroça, levada por um burro. Hoje seguem numa carrinha pelas ruas da Vila. “A malta vai partindo o cântaro, vai bebendo, vai partindo, vai bebendo, e quando se chega ao fim já só vai metade da caravana. Alguns não aguentam”. E ali vão todos, de rua em rua a lançar o quartão, interrompendo o trânsito e provocando o sorriso e as buzinadelas dos condutores. Assim se passa a tarde, até à hora do jantar. Pelo meio, os “jogadores” vão assinando e deixando dedicatórias em vários cântaros de barro, que são guardados nas tascas da Vila para recordação.

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Enterro do Galo Outro "ritual" tem lugar precisamente nesse dia à meia-noite, para encerrar o Carnaval o chamado "Enterro do Galo". Nesse ritual "enterram-se" todas as coscuvilhices que aconteceram no ano anterior. Mas isto acontece tudo com uma encenação, ou seja no "Enterro do Galo" existe um padre, um sacristão, um morto uma viúva e as carpideiras. Depois do jantar começa o baile, que se prolonga pela noite dentro, “mesmo com a malta já pingada”. Trata-se de um baile carnavalesco, onde se faz o Enterro do Galo. “Durante o ano, as piadas e calhandrices que vão havendo aí na Vila é tudo descoberto nesse baile de Carnaval. A partir da meia-noite, mais ou menos, ali é descoberto tudo o que têm para dizer uns dos outros. Todas as calhandrices, vem tudo à baila”. Os participantes mascaram-se e quando o Padre e o Sacristão dizem qualquer coisa, choram todos ao mesmo tempo. Pelo meio, cada participante verseja sobre uma calhandrice da terra. “Há muita mulherzinha que vai ao baile de propósito para saber as coscuvilhices cá da Vila”. Há cerca de 20 anos atrás, esta tradição era mal vista por muita gente. “Até pró ano e que o galo vos acompanhe”.